quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Recordação


Hoje não me apetece escrever poesia. Porquê? Porque não me apetece.
Recordo a chuva a cair nas janelas, na noite anterior. Estava furiosa. Feroz. Veloz.
Recordo o verão, que começa a distanciar-se e a olhar-me das recordações com um ar de gozo.

Oh... Recordações... Quem não gosta de as ter?

...


Percorro velozmente
Com toda a calma do mundo
O longo caminho das memórias...


Belos tempos os de infância...
Belos tempos os de criança...

Pensar dói...
Recordar magoa...

Mas não é uma mágoa cruel...
É uma mágoa nostálgica
Que desperta a saudade
E nos prende na realidade...

Queria sonhar sempre, sempre, sempre...

Não ter de acordar com um despertador louco
Que quase me mata de coração!
Não sentir o sentimento oco
Que nos trespassa sem razão...

Talvez esteja a ser demasiado sentimental...
Mas que importa?
Recordar é ser assim...

Agora, com a confusão a dominar o meu pensamento
Vou desligar o computador,
Sentar-me em frente a um livro,
Olhar pela janela e sentir o odor
Que a chuva deixou
Numa recordação...

Numa longa recordação...

JMF*10

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Despedida


Longe está o mar,
A areia e o odor salgado...
Longe vai o descanso
Há tanto desejado...

Longe está a gargalhada
De uma criança a brincar,
Longe está um sorriso
De um velhinho a passear...

Longe vai o dia
Longo e caloroso,
Longe vai o tempo
Em que tudo é nosso,
Em que tudo é eterno,
Em que nada vai e não volta...

Que escrevo eu? Que digo eu? Que pensas tu
Ao ler o que é meu?

Olho para o chão
Com o tempo contado,
Ouço a balada
Com o espaço cortado!

Olho para o livro
Que tanto quis ler
E que agora me olha da estante
E que me diz: Agora não pode ser....

Olho para as férias
Que passaram a voar
Anseando por um futuro
Que está para chegar!!!

Despeço-me do verão,
Da praia, da piscina...
Digo adeus ou até breve
Com um sorriso meio traquina...

JMF*10

Bom ano!


Aqui estou eu... Para escrever o quê?
Bem... não sei ao certo sobre o que hei-de escrever... Ou talvez saiba... inconscientemente...
Olho para trás e vejo o caminho que percorri até agora... É estranho observar interiormente todas as etapas ultrapassadas... umas melhores, outras piores... Mas cada uma com um significado e um percurso diferentes... Mas o que me assusta ainda mais são as etapas que ainda terei de ultrapassar... Assustador... O passado assusta, mas já foi desvendado... mas e o futuro??? Assusta ainda mais, pois não sabemos com o que se pode contar... o futuro é um ponto de interrogação giganteeeEEE!
12º ano... Uau! Nunca pensei que chegasse tão depressa... Ansiedade, nervosismo... são alguns dos biliões de sentimentos que se revoltam dentro de mim... Quando dou por mim, ando aos saltinhos pelo quarto, a ouvir uma música toda animada através do meu milagroso mp3... Não é loucura, não... é... sei lá o que é! É uma forma de descarregar energias desnecessárias :-)
Enfim...
Bom ano lectivo, pessoal! Entrem com o pé direito!

JMF*10

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

V - O fim?

Abri os olhos lentamente... Não ouvia o leve ressonar de Angel que me embalara durante a noite. Ouvia... silêncio. Sentia-me despejada num sítio qualquer. Sentia-me atordoada.
- Oh, finalmente! Já acordaste!
Senti uns lábios carnudos comprimirem-se contra a minha cara e uns braços gorduchos a envolverem, delicadamente, o meu pescoço.
Esperei 1, 2, 3, 4, 5 segundos e abri os olhos totalmente. Acordara do coma.
Acabara-se o sossego...
- Olá!
Oh não! Eu reconhecia aquela voz melodiosa, aquele sorriso! Ok, eu ia morrer, definitivamente!
E quando virei a cara para o encarar lá estava ele!
- Sei que não me conheces, mas já nos cruzámos várias vezes nos corredores da escola... Eu sou o Justin e... bem, acordei também dum coma... há poucos minutos... e cá para nós... - Baixou-se e falou tão baixo que só eu ouvi - ...acho que tivemos no mesmo sonho...
- Eu não acho... eu tenho a certeza! - retorqui-lhe eu, também baixinho.
Estava confusa com tudo aquilo. Mas ele era, de facto, real.
Uma médica de bata branca entrou pela porta daquele quarto de hospital para me examinar e verificar que estava tudo bem. Angel Justin ficou ali a animar-me com o seu sorriso.
Desde então, nunca mais nos largámos... éramos grandes amigos e inseparáveis.
As coisas melhoraram. Aprendi que ser paciente era um óptimo alicerce para encarar a vida.
Não voltei a sonhar com aquele sítio maravilhoso... Angel e eu falávamos sobre isso... ele estivera em coma mais tempo do que eu... enfim...
Nada mais me importava... tinha um bom amigo, uma boa dose de paciência... Seria tudo aquilo um sonho tornado real?


*

Um sonho é um pedaço
Da nossa ilusão,
Um sonho é um pedaço
Da nossa resolução...

Sonhar é dar alma
À nossa imaginação,
É dar rumo à nossa vida
Que espera uma resposta a qualquer questão!

Sonhamos para sobreviver
Para criar objectivos de vida
Sonhamos para não morrer
E ficar numa rua esquecida!

Sonhamos para nos iludirmos
De que há algo mais a conquistar!
Por vezes, conseguimos
Por vezes, deixamo-nos derrotar!

O que importa é conseguir
Erguer os braços e lutar
Não só pela realidade
Mas por qualquer sonho que pode chegar!

Ser infeliz não é resposta
Que o sonho queira ter
Saber ultrapassar a infelicidade
É o sonho de qualquer ser!

Não basta sonhar
Há que ser paciente
E saber avançar
A uma meta permanente!

Não basta sonhar
Há que saber levar o sonho ao real
E não abandonar
Um sonho sensacional!

JMF*10

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

IV - Paciência


" Mantinha viva a esperança de ele voltar... Era tudo tão calmo e, de repente, ficou tudo estranho...
Aquele lugar era belíssimo... as árvores enormes que me rodeavam, deixando nu o céu azul, rosa, violeta, típico do fim do dia... o chão suave que emanava o cheirinho a erva molhada... os raios de sol que escapavam por entre as árvores, que se uniam para formar aquela casa tão invulgar...
Mas de que me adiantava o ambiente de sonho, se interiormente mergulhara num pesadelo total?
Sentia-me magoada... não me importava o banho ou o cabelo desalinhado ou o descanso perdido... Teria primeiro de recuperar Angel...
Encostei-me a uma das árvores/ paredes... Angel dissera: "O facto de agora estares aqui presa implica muitas mudanças da tua parte... precisas de encarar a realidade e facilitares a tua vida... precisas de sonhar e de lutar por esses sonhos... precisas de enfrentar o que te impede de realizar os teus sonhos e de saber lidar com tudo isso... só assim, serás feliz, realmente! ", e : "não é a distância que afasta duas pessoas... acredita! ".
Humm... Em primeiro lugar, eu não lidava muito bem com mudanças... assustavam-me, principalmente quando eram repentinas.... para enfrentar os meus problemas, tinha de pensar.... tinha de encarar os problemas para saber dar-lhes resolução.... só depois realizaria os meus sonhos (que mundo tão esquisito!)... Ora, recuperar Angel era um sonho... logo, isso implicaria um problema por resolver... mas qual???
Senti um arrepio... "Não é a distância que afasta duas pessoas..."... Ele estaria a ver-me do alto de alguma árvore? Delírio... ou talvez... não fosse bem um delírio... Eu e Angel estávamos no mesmo mundo... logo...
- Angel, regressa aqui antes que eu queime a floresta toda de tanto pensar!
Esperei, silenciosamente. Nada.
Levantei-me. Comecei a andar de um lado para o outro, impacientemente. Talvez... humm, seria esse o meu problema? Impaciência...
De facto, não era grande apoiante da paciência... esperar demasiado por algo dava cabo de mim... Fervilhava quando não descobria as coisas logo à primeira...
Aquele Angel! Primeiro diz que estou preparada e depois faz estes joguinhos comigo! Que paciência!
Parei no meio daquele "salão" enigmático. Respirei fundo. O ar que inalava queimava por dentro. Olhei para as minhas mãos e tremiam. Baixei-as, fechei-as num punho, e voltei a respirar fundo. Pensava: "Calma, Jessie, tu consegues!". Fechei os olhos. Respirei fundo vezes e vezes sem conta. Comecei a sentir-me muito mole. Sem dar por isso, as minhas mãos descontraíram-se, deixando de estar fechadas. O ar já não me queimava. Abri os olhos... Era de noite, pela primeira vez, naquele sítio bizarro, mas estranhamente confortável.
- Ok, Angel... eu sei que estás aí! Eu sinto a tua presença... humm... algures por aqui... Queres que eu seja paciente... Desconfio que isso seja uma maneira de enfrentar não só o problema da tua ausência, mas muitos dos problemas que me irão alcançar durante toda a vida... Ficas a saber que mudanças, não são o meu forte... Mas também terei de enfrentar isso... - parei e suspirei - Tudo o que me atormenta, eu escondo dentro de mim... Tenho sonhos, mas quando algo corre mal, desanimo... Falta-me a paciência... Falta-me a capacidade de erguer imediatamente a cabeça e dizer: Eu consigo, só preciso de lutar!... Voltei para aqui para fugir da realidade... Mas a realidade e o sonho não vivem um sem o outro... Por isso, estou aqui! Quero que saibas que... preciso de ti para viajar no meu próprio mundo... Preciso de ti para ser feliz! Preciso de ti e de ser paciente... Não quero que seja a minha impaciência a afastar-nos... Porque se a distância não o faz eu também não o vou fazer!
Calei-me... Sentei-me na erva... Estava calma e aliviada. Mesmo que o meu discurso não resultasse, eu não iria desistir... Iria ser paciente.
Embrenhei-me no meu pensamento. Senti umas mãos a tapar-me os olhos. Sorri. Reconheci aquele toque. Resultara.
- Espero que não te arrependas do que disseste!
- Angel, não me vou arrepender!
- Eu sei que não... eu sei que não...
Agarrei-lhe nas mãos e virei-me para o enfrentar.
- Não me voltes a fazer isto... prometo ser paciente, mas não prometo que irei resistir a dar-te um valente puxão de orelhas.
Mais do que a lua e todas as estrelas do céu, Angel iluminou-me com o seu sorriso. Abracei-o. Ele apertou-me contra si e sussurrou-me ao ouvido:
- Serei sempre teu amigo e estarei aqui até ao fim! Agora, banho e jantar!
Afastou-me de si e passou a mão pelo meu cabelo. Escondi a cara no seu peito com vergonha do estado lastimável da minha higiene.
Fui-me a lavar ( a casa-de-banho era lindíssima! o duche era na "realidade" uma cascata belíssima!) e quando regressei ao "salão", estavam um jantar que cheirava imensamente bem e Angel à minha espera. Jantámos, rimo-nos e, por fim, adormecemos os dois encostados a uma árvore, abraçados um ao outro para enfrentar qualquer pesadelo que se intrometesse no Mundo dos Sonhos!
Eu não enfrentava bem as mudanças repentinas... Mas o regresso de Angel levou-me a acreditar que é possível enfrentar qualquer mudança, desde que se seja paciente!"

JMF*10

III - Coma

Estava farta... Mantinha bem vivo na minha mente toda aquela beleza vislumbrada... mas de que me adiantava tudo isso agora?
Acordara com uma voz que despertava em mim o pior do meu ser... Sentia-me... vazia...
O medo possuía-me com uma força brutal e eu não conseguia escapar, porque todo o meu ser, toda a minha alma, estavam preenchidos com esse sentimento imperfeito e cruel.
Desci as escadas devagar... não me apetecia, não gostava de lidar com problemas ou discussões... não era nem nunca seria o meu forte... deparei-me com tudo o que não queria deparar...
- Ainda estás a dormir? Não vês que horas são?
Não respondi. Saí disparada como uma flecha, deixando atrás o eco do estrondo da porta de casa a bater.
Loucura. Talvez fosse a palavra ideal que globalizasse aquele cenário, onde eu era a personagem principal.
Eu sentia-me infeliz... mas ninguém se importava com o meu estado de espírito que cada vez ia escurecendo mais e mais...
Corri sem olhar directamente as sombras que se erguiam cada vez mais alto para me observar...
Ia de camisa de dormir, a correr descalça por ruas povoadas de gente.
"Brilhante!"... Mas não parei nem voltei atrás... Só queria recuperar o Sonho que abandonara e que me faria sentir bem... Queria encontrar Angel, abraçá-lo e chorar e rir e cantar e gritar... gritar até ficar sem voz... Ai! Como era bom imaginar o derradeiro desabafo...
De repente, vêem-me à memória todas as críticas, todos os dedos apontados, todas as vozes severas, todas as desilusões, todas as mágoas... Todas as vozes que me diziam: és boa, mas há melhor que tu!, ou então, se conseguires... Se... se... se... Se eu conseguisse realizar o meu sonho profissional, muita gente iria sentir remorsos do que me dissera... mas cada SE que me dizem, encaro-o como uma falta de confiança... E não gosto de sentir isso a recair sobre mim... Os nervos tomavam conta de mim... de mim, do meu corpo, da minha alma...tremia, mas não era de frio... chorava, mas não era de alegria...Senti saudade de abraçar a minha almofada e de adormecer com um sorriso nos lábios.
Senti saudade de abraçar as estrelinhas brilhantes que me aconchegam na escuridão do meu mundo, e que brilham para mim quando mais ninguém o faz.
Senti saudade de ser criança e de correr sem medo do amanhã.
À minha boca, chegou o sabor salgado de um fiozinho de lágrimas que se acumulavam na minha cara, deslizando suavemente para as saborear...
Olhei o céu... O coração rebentava no meu peito... o pensamento mergulhava num turbilhão de sensações e sentimentos...
Senti-me tonta... e num abrir e fechar de olhos... tudo se apagou em meu redor.

" - J., ouves-me? Estás a ouvir-me?
Pestanejei. Olhei para cima e vi o rosto dele sobre mim, a transbordar de preocupação.
- O que me aconteceu? - murmurei.
- Entraste em coma... hum... na realidade...
- Finalmente! Já não suportava mais um dia naquele inferno...
Angel sorriu.
- Eu compreendo-te... Precisas de... - calou-se.
- O que se passa?
- A partir de agora, não te posso acompanhar.... lamento!
- Mas porquê?
Angel fitou-me e disse:
- O facto de agora estares aqui presa implica muitas mudanças da tua parte... precisas de encarar a realidade e facilitares a tua vida... precisas de sonhar e de lutar por esses sonhos... precisas de enfrentar o que te impede de realizar os teus sonhos e de saber lidar com tudo isso... só assim, serás feliz, realmente!
- E porque tens tu de ir embora?
- Porque... terás de descobrir isso... mas... não é a distância que afasta duas pessoas... acredita!
E, de repente, desapareceu.Não era apenas o meu corpo que estava inerte, agora. Angel induzira o coma também no meu coração."

JMF*10

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

II - Preparada


Os sonhos são algo que me ajudam a esquecer a vida real por momentos, por breves instantes. Ajudam-me a desenhar o futuro numa tela da vida. Os sonhos mantêm viva a esperança de dar cor a um mundo que, por vezes, se tornava cruel, frio, insensível, incolor.
Na manhã seguinte àquele sonho tão real, parecia um autêntico...
zombie... Sabia que seria um dia igual a tantos outros. Com uma ligeira diferença: a noite anterior fora diferente de todas as outras. Não voltara a adormecer, pois a minha mão direita apenas se limitou a escrever folhas e folhas e folhas... deixei-me ser um vulcão em erupção, cuja lava que escorria para fora de mim e queimava as folhas outrora em branco era aquela inspiração súbita e tão fácil de sentir. Tudo aquilo era esquisito, pois assustava-me e fazia-me sentir extremamente bem e livre, simultaneamente. Eu sabia que a vida real por enquanto não era um sonho concretizado. Na realidade, os nervos impediam-me de sentir inspirada e livre, presa nas cavernas submersas do meu ser.
Na realidade, nesta exacta realidade, deixara de sentir novamente a inspiração que me invadira, e voltara-me a fazer sentir livre... agora, nem sei ao certo como eu me sentia... talvez um pouco farta de me picar nos espinhos que o mar de rosas apresentava... Estava cansada, prestes a desistir... A vida pregara-me dois estalos na cara, quebrara a esperança que deveria preencher o meu espírito de adolescente. É óbvio que os adultos que lerem isto dirão logo:" pensamento típico destas idades"... mas quer queiram, quer não, ser adolescente não é o momento em que se é um actor de uma peça de teatro dramática, mas sim um crítico de qualquer erro nessa peça... um adolescente não torna tudo demasiado difícil e surreal, apenas vê o mundo numa perspectiva mais livre, mais sentida que qualquer adulto... um adolescente não torna a vida num sonho, mas um sonho numa vida...

Pensar em tudo isto com o cansaço que já tinha em cima deixava-me fora de mim... apenas pensava em deitar-me e não acordar mais... pelo menos, até me sentir suficientemente bem para enfrentar a realidade.
De novo, tranquei todas as janelas do meu quarto. Deitei-me na cama e fechei os olhos. A curiosidade latejava dentro de mim.

"Era de novo final de tarde, naquele sítio já conhecido. Angel estava, de novo, perante os meus olhos. Tinha um ar preocupado e estranhamente sereno ao mesmo tempo.

- Tu não estás bem - disse-me.

Toda a teimosia e rebeldia que sentira no sonho anterior relativamente àquele ser magnífico, apagara-se. Sentia-me frágil. Cansada. Triste. Revoltada. Magoada. Desiludida.

Ele aproximou-se de mim. E fitou-me, agora profundamente preocupado.

No meu rosto, senti um fiozinho a escorrer, molhando os poros da minha pele, por onde passava.
Desisti. Abracei Angel e chorei, chorei, chorei. Ele correspondeu ao meu abraço, apertando-me contra si, passando a mão pelo meu cabelo, provavelmente de novo desalinhado.
- Agora sim, estás preparada.
Não percebi o que ele quereria dizer com aquilo. Estava esgotada e apenas queria perder-me naquele abraço e desabafar todos os sentimentos negros que se ergueram durante tanto tempo dentro de mim.

Senti um arrepio. Angel era gélido. Apercebi-me disso, de repente. Afastei-me dele. Ele largou-me.
Um pouco mais aliviada e com um leve sorriso disse-lhe:
- Dormes em algum congelador ou tens como passatempo favorito ir passear ao Pólo Norte?

Ele riu-se e limpou-me as lágrimas que teimavam em pairar sobre o meu rosto.

- Nada disso... O mesmo poderia dizer sobre teres fugido do sonho anterior...

- Eu não fugi... assustei-me contigo e acordei! - disse-lhe na brincadeira.

Era muito fácil sentir-me novamente bem. Ali. Com Angel.
Ele agarrou no meu queixo e disse-me:
- Tens piada... és... interessante...
- Lá por vir aqui a ter não quer dizer que venha com a intenção de ser o palhaço de serviço... e dispenso elogios de pessoas desconhecidas...
Ele sorriu. Tinha um sorriso belo e perfeito, tal como tudo o que emanava dele.
- Não era um elogio, era uma observação.

Puxei-lhe a orelha, levemente. Ele agarrou na minha mão e começou a brincar com os meus dedos.

- Há muita coisa que te quero dizer, Jessie. Precisas de saber o que te trouxe aqui e o que fazes aqui ao certo. Mas antes, tens de tomar um banho e comer qualquer coisa... Que achas?

-Fixe! Finalmente, uma ideia brilhante! - respondi-lhe eu, sorrindo. - Há por aí algum duche?

Ele olhou-me muito sério e desatou à gargalhada, logo a seguir. Perguntava-me seriamente o que teria a minha cara de tão engraçado para o fazer rir daquela maneira descontrolada.

- Bem, o que há aqui para tomares banho é... um rio... ali, naquela direcção - e dirigiu um dedo para o lado oposto donde estávamos.
- Um rio??? Estás a gozar comigo, certo? Também me vais dizer que tenho de extrair aloé vera para fazer o champô e arrancar folhas para secar o cabelo...

E, de novo, riu como eu nunca vira rir alguém.
Ele respirou fundo, tentando estar sério perante o meu ar ligeiramente perturbado e confuso.
- Até que nem era má ideia... Mas eu estava a brincar contigo... Fecha os olhos... e não vale espreitar.

Estendeu-me a sua mão e eu dei-lhe a minha. De mãos entrelaçadas com aquele ser fantástico e de olhos fechados, senti uma leve pressão e... nada mais.

-Vá, já podes abrir os olhos, Jessie.
Abri e...
-UAUU!!!!

Ele riu-se.

- Se tudo for tão fantástico como o que estou a ver, então... estou mesmo preparada... Seja para o que for!"


JMF*10